As horas de frio correspondem ao número de horas acumuladas durante o período invernal em que a temperatura do ar se mantém abaixo de um determinado limiar (geralmente entre 0 °C e 7,2 °C).
Este parâmetro é determinante para culturas de clima temperado, pois está diretamente relacionado com a superação da endodormência das gemas.
Principais aplicações e implicações agronómicas
Indução e quebra de dormência
As horas de frio permitem a transição das gemas do estado de dormência fisiológica (endodormência) para um estado de prontidão para o crescimento, assegurando o normal reinício vegetativo.
Uniformidade de abrolhamento e floração
O cumprimento das exigências em frio promove uma brotação homogénea das gemas, resultando numa floração sincronizada, que favorece a polinização e o vingamento dos frutos.
Produtividade e qualidade dos frutos
Défices de frio podem originar floração irregular, queda de flores, má formação dos frutos e redução do calibre e qualidade organoléptica.
Adaptação varietal e zoneamento agrícola
Cada espécie e variedade possui necessidades específicas de horas de frio, sendo este fator essencial na seleção de cultivares adequadas às condições edafoclimáticas de cada região.
Gestão agronómica e tomada de decisão
O acompanhamento do acúmulo de frio permite ajustar práticas culturais, como poda, aplicação de reguladores de crescimento e estratégias de mitigação em cenários de inverno ameno.
A insuficiência de horas de frio, frequentemente associada a invernos mais quentes, constitui um fator limitante à produção, podendo comprometer o equilíbrio fisiológico das plantas e a viabilidade económica das explorações agrícolas.